A União de Freguesias


O nosso território

O nosso território no contexto concelhio

A União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, pertence ao concelho de Santa Maria da Feira e Distrito de Aveiro. Resulta da agregação das freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande pela Reforma Administrativa Nacional -  Lei n.º 11-A/2013 de 28 de Janeiro.

Tem uma área de 23,93 km2 e uma população de 9860 (Censos 2011). Em população é a 3ª maior freguesia do concelho de Santa Maria da Feira.

Quanto à caracterização das quatro freguesias que integram a união:
Lobão tem uma área de 7,91 km2 de área e 5 483 habitantes (2011). Densidade: 693,2 hab/km2
Gião tem uma área de 3,57 km2 de área e 1 815 habitantes (2011). Densidade: 508,4 hab/km2
Louredo tem uma área de 8,67 km2 de área e 1 325 habitantes (2011). Densidade: 152,8 hab/km2
Guisande tem uma área de 3,78 km2 de área e 1 237 habitantes (2011). Densidade: 327,2 hab/km2

A sede da Junta da União de Freguesias está localizada em Lobão, onde funcionam os serviços de expediente e atendimento aos cidadãos. Na sede funciona ainda o serviço do GIP - Gabinete de Inserção Profissional.
Nas demais freguesias, Gião, Louredo e Guisande, os ex-edifícios sede das extintas Juntas, são agora pólos ou extensões da sede e têm atendimento ao público uma vez por semana, em dias e horários divulgados, mantendo assim os positivos elos de proximidade. Considerando que a Junta dispõe de um sistema de gestão em rede, alguns dos serviços, nomeadamente declarações,  atestados, provas de vida, registo de canídeos, entre outros, podem ser requeridos e obtidos com a mesma eficácia tanto na sede como nos pólos, independentemente da freguesia de origem dos requerentes.
As sessões da Assembleia de Freguesia realizam-se de forma alternada (mas sem ordem definida) nas quatro freguesias, decorrendo nos edifícios da Junta ou equipamentos da mesma.

Mapas de ruas das freguesias da União:

ALGUNS APONTAMENTOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS SOBRE AS FREGUESIAS DA UNIÃO

LOBÃO - A povoação de Lobão, situada no Município de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, é conhecida desde muito cedo na documentação histórica. 
A base do seu topónimo é um nome pessoal que, embora não muito frequente, surge em 906 como Lupon e depois em 967 como Lubon. Este trata-se de um derivado de Lupu com o sufixo expressivo aumentativo – one. Existe um documento do ano de 1055 que menciona a povoação como Lopone.
 
Em 1079 um documento define a sua posição geográfica: “Vimara vende a Gonçalo Viegas que abeo in uilla Lobon seu subtus Kastro Portella terretorio portucalense discurrente riba Uniad”.
No ano de 1101, Patrina Eris e filhos doaram à Sé de Coimbra, na pessoa do Bispo D. Maurício, a quarta parte dos seus direitos nesta Igreja, além de outros bens, ficando com usufruto como colonos da Sé.
No ano de 1202, o direito de padroado de Lobão foi cedido ao Mosteiro de Grijó por 100 maravidis de ouro. O padroado veio a ficar à mitra do Porto, por uma transacção, no ano de 1299, entre o bispo do Porto, D. Sancho e o Mosteiro de Grijó. A parte daquele primeiro documento deveria ter passado com a anexação do território Coninbricense acima do Antuã. Em 1296 uma sentença arbitral havia declarado que os cavaleiros que pretendiam ser daqui padroeiros já não o eram mas sim aquele mosteiro.

Lobão ou Lobon, segundo se depreende da leitura das Memórias da Ordem dos Templários, teve relações estreitas com a Comenda de Malta e foi chamada Comenda de Lobão em tempos muito recuados.
Pertenceu aos Templários, em 1319 passou para a Coroa e desta para a Ordem de Cristo, no reinado de D. Dinis. A antiga freguesia era no século XVIII um curato e comenda da Ordem de Cristo. Em 1615 era avaliada em 470.000 reis. Lobão beneficiou do foral concedido em 10 de Fevereiro de 1514, pelo rei D. Manuel I, à Feira e Terras de Santa Maria. Depois do século XVIII aparece como curato da apresentação do reitor de Canedo passando posteriormente a reitoria.

Na Coreografia Portuguesa que o Padre António de Carvalho dedica à Rainha D. Mariana de Áustria há uma referência que dá Lobão como sendo curato e comenda da Ordem de Cristo, que no século XVIII acusava a existência de 24 fogos.
Pinho Leal no seu Portugal Antigo e Moderno refere:
“Lobão, freguesia do Souro, comarca e concelho de Feira, dista 285 km para norte de Lisboa e 24 km para sul do Porto, a cujo bispado pertence. É do distrito administrativo de Aveiro e dista da sede do concelho 7 km. O orago é S. Tiago Apóstolo e em 1757 tinha 325 fogos. A igreja tem elegante e alta torre. Há Capela de Santo Ovídeo e 3 romarias se fazem ali anualmente”.

fonte: Lobãonet

Lobão é formada pelos seguintes lugares: Aldeia Nova, Amorim, Arosa, Azenha, Barbeito, Bertal, Caínha, Candal, Carreira Cova, Casqueira, Chã, Cimo de Vila, Corga, Cruz, Cruz de Ferro, Fontaínhas, Lavandeira, Merujal, Miradelo, Mirelo, Mouta, Ponte da Chã, Portela, Quintã, Ribeirinho, Ribeiro, S. Martinho, S. Miguel, S. Pedro, Salgueiral, Sub-Outeiro, Tabuaça, Teixugueira, Tugilde e Vale da Cabra.

GIÃO - A freguesia de Gião, que terá nascido no vale da chamada "Quinta da Beira", é composta pelos lugares de Azevedo, Beira, Boavista, Canedinho, Casal, Fundo de Aldeia, Godinho, Outeiro e Pomar.
A primeira referência conhecida à freguesia de Gião data de 1078 em documento que a denomina como Villa Iuliam e a menciona como curato do mosteiro de S. Bento de Avé Maria, do Porto.
Outra referência histórica é a "Casa da Beira", atualmente residência rústica, que reza a tradição, foi, antigamente, um mosteiro de freiras beneditinas anexado mais tarde ao da Ordem do Porto, aquando da sua fundação pelo rei D. Manuel I.

Em 1944, por altura das obras de terraplangame para a abertura da estrada que atravessa parte da antiga "Quinta da Beira", foram encontrados vestígios dos alicerces do extinto mosteiro, o que veio a comprovar a refrida tradição.
A igreja paroquial de Gião é dedicada ao mártir Santo André. É de reduzidas dimensões mas prima por um certo equilíbrio de formas e volumes. Os seus elementos arquitectónicos reportam-se à segunda metade do séc. XVIII mas será de origem anterior. Fora da nave mas ainda dentro do adro envolvente à igreja, no muro a poente, defronta da porta principal, existe um interessante nicho datado de 1890 o qual encerra uma placa de calcário e de oficina coimbrã de meados do séc. XV, mas de execução corrente com o relevo do "Calvário" como motivo.

Para além da igreja e do referido nicho no muro do adro, constituem património cultural e religioso os cruzeiros existentes, nomeadamente a Cruz do calvário, no alto do lugar do Outeiro, gravada com a inscrição de 1722 e ainda algumas alminhas de relativo interesse arquitectónico, espalhadas pela freguesia.

Gião é formada pelos seguintes lugares: Beira, Pomar, Casal, Godinho, Boavista, Canedinho, Outeiro, Fundo de Aldeia e Azevedo.

LOUREDO - Como o próprio nome indica trata-se de uma terra onde proliferaram (ainda existem) os louros – do latim lauros -, ou loureiros e, por isso, não é de estranhar que nos apareçam artigos com a versão Lauredo e até Larzedo (de Lourosedo).
O documento mais antigo que conhecemos é a carta régia que cria o Couto de Louredo, assinado pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, na qual doa, a um tal Gonçalo Dias e sua mulher Maria Anaia (em recompensa pelas cavalos morabitinos e bons serviços prestados, ao Rei, nas lutas pela independência) todas as terras que constituem hoje as freguesias de Louredo, Santa Maria do Vale e ainda uma parcela de São Miguel do Mato do concelho de Arouca (Ano de 1.175 = 1.137). Antes de morrer, Gonçalo Dias deixou em testamento, aos seus filhos, as terras do Couto. É o Mosteiro de Canedo, aqui ao lado, que vai herdar as terras do lugar de Louredo, em S. Vicente, sobretudo a vinha, o pomar das corredoiras e o lugar de Parada.

Com a divisão administrativa começaram a organizar-se as freguesias, na sua maioria à sombra dos Conventos. O convento de Canedo, que ainda mantinha o seu prestígio, conseguiu manter unidas as parcelas de terreno de Louredo, S. Vicente e Parada, que constituíram assim o núcleo da futura freguesia de Louredo. Só, anos mais tarde, se conseguiu aglutinar as terras que eram pertença do Condado da Feira (parte sudoeste de S. Vicente), as que eram da Comenda de Rossas e do Convento de Arouca (actualmente o lugar de Cimo de Aldeia e parte sul de Vila Seca) e as que eram do Convento de Oliveira do Hospital (actualmente o lugar do Convento, Santa Ovaia, Toseiro, Mouta e Moutinhas).

[Resenha histórica extraída da monografia inédita de Louredo, da autoria do falecido  pároco Acácio de Freitas]

Louredo é formada pelos seguintes lugares: Louredo, S. Vicente, Pedras, Manguela, Lagoa, Convento, Vila Seca, Cimo de Aldeia, Tozeiro, Mouta, Moutinha e Santa Ovaia.

GUISANDE - Os mestres da língua alemã inclinam-se para a opinião que sustenta ser a palavra "Guisande" de origem visigótica. Datará, pois, Guisande da época em que os visigodos, de origem germânica, invadiram a Península Ibérica, a partir do século V.

O Eminente filólogo Dr. José Leite de Vasconcelos deu o seguinte parecer sobre a origem da palavra Guisande: « "Guisandus" nome de homem, de origem germânica e que significará "verdadeiro " no combate ». Primitivamente deveria ser "Guisandi villa".

Certo é que desde o século IX, há já muitas referências a Guisande – "Grisandi" – e às vilas que ali existiam, de que ainda hoje há vestígios: "Vila Fornos", "Cimo de Vila e até a vila que se chama Guisandi: (É necessário esclarecer que "villa" é um termo genérico e significa "Quinta", "prédio rústico", "casal", "granja", "herdade" e às vezes, a "villa" era um conjunto de prédios existentes no mesmo local ou aldeia.)

No reinado de D. Afonso II, logo no princípio, em 1211, foi determinado que as Igrejas não adquirissem, por título de compra, mais bens de raiz. Fizeram-se inquirições para verificar os títulos de propriedade do clero e dos nobres e aparece para os Mosteiros e ordens, em vários julgados do Porto, uma relação em que está incluída a freguesia de Guisande.

Dona Ermelinda Guterres, abadessa de Rio Tinto, fez doação ao mosteiro de Grijó dum casal, que herdou do seu pai, e que está situado na vila que se chama "Guisandi". A sentença das inquisições de 1288, dada em 1290, diz o seguinte: «A quintam que foi de Gotrim Perez e ora hé da Abadessa de Rio Tinto com toda essa aldeya de Guisandi…»

O titular de Guisande, ou seja, aquele sob cujo nome ou título foi fundada a Igreja, é S. Mamede, filho de S. Teodoro e de S. Rufina, descendentes de cavaleiros ilustres e de nobre linhagem. S. Mamede de Guisande sempre pertenceu à Comarca Eclesiástica da Feira que, há séculos, pertence à diocese do Porto.

Situada a 10 km da sede do Concelho, ao Norte – Nascente, com, Guisande confina a Norte, com Lobão e Gião; a Nascente, com S. Vicente de Louredo; ao sul, com Duas Igrejas e Pigeiros e a poente com Caldas de S. Jorge e Lobão.

A Igreja está bem situada numa zona central e, quem se coloca na sua frente, verá um anfiteatro que começa no Monte do Viso, sobe até o Outeiro e Monte da Mó e desce pela Quinta e Estôse.

Em 1586 foi feito um inventário dos casais que estavam obrigados aos "votos" (um "voto" consistia numa medida de pão e outra de vinho para cada jugo de bois) nos actuais Concelhos de Gaia, Feira e outros, onde Guisande vem mencionada. Eis os casais "voteiros" de Guisande: « O Casal da Barrosa que pagava um alqueire de centeio e um de milho, o Casal de Fornos, que pagava o mesmo; o casal de Trás-da-Igreja, o casal da Quitam, o casal de Estôse, o Casal de Outeiro, e o casal de Cimo de Outeiro. O total de 16 Alqueires»

Em 1687, no sínodo diocesano, foram ampliadas as faculdades para sacrário destinado à Eucaristia para os enfermos e consolação espiritual dos fiéis: «Ordenamos e mandamos que, em todas as Igrejas paroquiais que tiverem junto de si trinta vizinhos… haja decentes sacrários…»

No catálogo desta constituição vem a Comarca da Feira com 90 Igrejas paroquiais e a freguesia de Guisande aparece classificada com abadia com 86 fogos, 291 pessoas maiores e 46 menores

Passados alguns anos, a freguesia requereu a licença para o sacrário, nos seguintes termos: «Dizem os fregueses da paroquial Igreja de S. Mamede de Guisande consta de 90 fogos, com mais de 300 pessoas de comunhão e que na dita Igreja não existe o SS. Sacramento da Eucaristia. Nos casos de necessidade vão à Igreja de S. Tiago de Lobão, a qual por ficar em grande distância e ser mau caminho por motivo dos montes que estão em circuito pode acontecer falecerem alguns fregueses sem o SS. Viático pelo que querem os suplicantes obrigar-se a lâmpada perpétua e mais fábrica necessária na forma de constituição para terem o SS. Por Viático, porque também tem a dita Igreja mais de Trinta fogos como a mesma constituição dispõe:

"P. a V.Ilma lhes conceda licença para terem o SS. Por viático, fazendo primeiro a obrigação ordenada pelas constituições do Bispado." Foi dado despacho, nos seguintes termos: «Fazendo os suplicantes termo de sujeição e obrigando-se a fábrica às despesas e conservação do sacrário com toda a decência, daremos a licença que pedem, vista a informação que temos.» Lisboa, 18 de Agosto de 1696.

Pouco tempo depois, esse termo de sujeição e obrigação às condições impostas foi lavrado em Pigeiros, onde compareceu o competente escrivão.

Em 11 de Setembro desse mesmo ano, mandou Dr. Manuel da Silva França, Provisor do Bispado, que o visitador da Comarca da Feira verificasse o número de fogos de Guisande, distância de Lobão, sacrário, pálio, véu de ombros, custódia e outros objectos indispensáveis.

O Visitador visitou a freguesia, dando parecer favorável e, preenchidas outras formalidades, foi concedida a licença para a conservação do SS. Sacramento, em 6 de Outubro de 1696. Era pároco o Reverendo Valério Alves.

Nada se sabe sobre a primitiva Igreja de Guisande. Sabe-se que em 1686 se fizeram várias obras na capela-mor e nas duas sacristias. Há, no aro do Cruzeiro, a data de restauro. A torre data de 1764, do tempo do pároco Dr. Manuel Rodrigues da Silva – 1750 que, em notas enviadas para o "Dicionário Geográfico de Portugal", manuscrito existente na Torre do Tombo, dá a Guisande 126 vizinhos (fogos) e 398 pessoas. Diz ainda que, no terramoto de 1755, a Igreja não sofreu ruína considerável, embora caíssem pedaços de cal e, na residência, se abrissem brechas e fendas.

Consta que a freguesia de Guisande foi «muito apetecida e cobiçada até à lei da Separação – 1910, embora fosse pequeno o número de almas para salvar. Tinha bons campos, tapadas, juros de inscrições e ainda côngrua de ser tão apetecida.

O reverendo Manuel de Carvalho, de quem havia uma lápide no Cemitério, entretanto desaparecida, foi nomeado em 1710 e fundou a confraria de N. Srª. Do Rosário, em 1733, que ainda hoje se mantém viva e em actividade.

Geograficamente Guisande divide-se em duas partes: a mais elevada, que compreende os lugares do Viso, Cimo de Vila, Quintães, Outeiro, Estôse, Pereirada, Leira, Gândara e Igreja; a parte mais baixa compreende os restantes lugares: Reguengo, Barrosa, Fornos, Lama e Casaldaça.

Pinho Leal no seu "Portugal Antigo e Moderno" de 1873, a páginas 370 do vol. III, referindo-se a Guisande  diz  que "...tem uma capela dedicada a Santo Ovídio onde se fazem três festas no ano, muito concorridas. A quem tiver padecimento nos ouvidos, tem (segundo a crença da gente d´aqui) um óptimo remédio. É furtar uma telha e levá-la de presente a este santo; fica logo bom e a ouvir perfeitamente. É medicamento muito experimentado e aprovado pela gente da terra da Feira.A telha há-de ser furtada senão não o vale".

Não deixa de ser curiosa e confusa esta descrição porquanto o mesmo autor e na mesma obra, a páginas 431 do vol. IV  também atribui a Lobão e mesma capela com o mesmo santo e com as mesmas três romarias.